O Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora está com inscrições abertas para o primeiro curso de capacitação aos interessados em amparar, temporariamente, crianças e adolescentes afastadas de seus lares por medida de proteção judicial.
As inscrições vão até o dia 3 de abril, e a capacitação começa no dia 13/4. Os interessados na capacitação podem se inscrever acessando o link disponível no site da Prefeitura de Joinville.
Serão quatro encontros, todos à noite, totalizando 12 horas. As demais datas serão divulgadas diretamente para os cadastrados. O Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora é uma unidade da Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Joinville.
A coordenadora do Famílias Acolhedoras, Patrícia da Silva Caetano, explica que, após o processo de inscrição, uma equipe entrará em contato com a família para orientar sobre entrevistas, visitas e o curso de habilitação.
“Todos os membros da família podem participar, além da rede apoio que também deseja colaborar”, salienta a coordenadora.
As famílias acolhedoras são voluntárias, e para estar apto a ingressar neste serviço é necessário ter mais de 21 anos; residir em Joinville há, pelo menos, 12 meses; ter o consentimento de todos os integrantes familiares para o acolhimento; ter disponibilidade de tempo para garantir proteção e cuidados essenciais ao desenvolvimento da criança ou do adolescente acolhido; ter disponibilidade para participar das capacitações ofertadas pelo Serviço; não estar cadastrado na lista nacional de adoção; não possuir antecedentes criminais ou envolvimento de familiares com dependência química; e apresentar condições física e mental para o acolhimento.
As famílias recebem um subsídio mensal para os cuidados e necessidades dos acolhidos. O Serviço conta com 54 famílias acolhedoras habilitadas e 44 crianças e adolescentes em lares temporários em Joinville.
Dedicação e afeto
Patrícia reforça que a família acolhedora deve prover um espaço adequado e dispor de muita dedicação.
“Precisa ter um ambiente protegido, um lar que tenha espaço para esse acolhido, para que a criança se sinta pertencente àquele espaço, com toda proteção e carinho, e a garantia do direito dessas crianças durante o período de acolhimento”, observa.
Durante o período, o Serviço realiza um trabalho contínuo com a família de origem da criança, para averiguar a possibilidade de retorno para esta ou para sua família extensa (parentes próximos com quem tenha vínculos afetivos). “Se esgotadas as possibilidades, a criança é encaminhada para adoção”, esclarece Patrícia.
O acolhimento é temporário e pode durar até, no máximo, 18 meses, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. A coordenadora explica que a criança e a família são preparadas para o momento de despedida.
“Com a criança, é feito de forma muito lúdica, para que ela entenda que não é um rompimento de vínculos, mas sim uma despedida saudável, porque ela vai iniciar uma nova etapa de vida, que é o retorno para a sua família ou uma nova família por adoção. Ela entende que é mais uma família que ela vai poder amar e ser amada, e que não é uma quebra de vínculos, mas a soma de novos vínculos que estão chegando”, completa.
Capacitação e gratidão
Os candidatos que ingressam no Famílias Acolhedoras podem indicar o perfil de crianças e adolescentes que acreditam se encaixar melhor em sua rotina, condições e capacidade. Patrícia atesta que o número de acolhidos, o gênero e as idades mais adequadas para uma determinada família acolher são elaborados em conjunto com o Serviço, levando em conta a intenção do núcleo familiar e a avaliação da equipe de psicólogos e assistentes sociais.
“Algumas famílias preferem um bebê, outras um adolescente. Umas desejam acolher irmãos, outras só podem acolher uma criança por vez. Algumas famílias já fizeram mais de trinta acolhimentos”, conta a coordenadora.
Vilma e Carlos, de 50 e 51 anos, chegaram a Joinville em 2016, e desde 2024 participam do Serviço. O casal de mineiros já acolheu duas crianças e três adolescentes.
“A gente pensa que vai só ajudar eles no começo, mas no fim a gente vê que eles acabam nos ajudando também, porque é uma troca de amor e de carinho muito boa e gratificante”, define Vilma.
Carlos explica que o acolhimento, para eles, tem um elo de ressignificação com sua própria existência. “A gente sabe o que gostaria de ter tido quando era criança, e podemos melhorar para essas gerações futuras. São crianças que necessitam mais do que a gente”, reflete.