No Dia Mundial do Acolhimento Familiar, Joinville promove conscientização sobre o acolhimento de adolescentes

Publicada em 28/05/2026 às 16:20
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Celebrado em 31 de maio, o Dia Mundial do Acolhimento Familiar convida a sociedade a refletir sobre a importância desse serviço que proporciona proteção humanizada a crianças e adolescentes de zero a 18 anos que, por determinação judicial, foram afastados das suas famílias de origem em decorrência de violação dos seus direitos ou da impossibilidade de cuidado e proteção.

Em Joinville, o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, conduzido pela Prefeitura por meio da Secretaria de Assistência Social, mantém permanentemente aberto o cadastro para pessoas interessadas em ingressar no serviço. Atualmente, Joinville conta com 59 famílias habilitadas para acolhimento.

De acordo com a coordenadora do serviço, Patrícia da Silva Caetano, um dos principais desafios está relacionado ao acolhimento de adolescentes a partir de 12 anos de idade, que na maioria das situações são encaminhados para o acolhimento institucional.

“Existe uma dificuldade significativamente maior no acolhimento a partir dessa faixa etária. No âmbito do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, o acolhimento de adolescentes e de grupos de irmãos constituem os principais desafios operacionais. Essa complexidade decorre diretamente da baixa adesão das famílias cadastradas a esse perfil, uma vez que a grande maioria opta por acolher crianças de menor faixa etária e de forma individual”, afirma Patrícia.

Para a coordenadora, o acolhimento de adolescentes e grupos de irmãos é fundamental, já que o ambiente familiar é o espaço ideal para garantir o seu desenvolvimento integral.

“Diferentemente do acolhimento institucional, a Família Acolhedora oferece atenção particularizada e individualizada, capaz de responder de forma sensível às demandas específicas de cada história de vida. Além disso, essa modalidade assegura o cumprimento do direito fundamental à convivência familiar e comunitária. Estar inserido em um lar, permite que o adolescente possa vivenciar rotinas de afeto, construir vínculos de confiança e participar ativamente da comunidade”, destaca.

Afeto recíproco

A professora Bernadete de Fátima Leôncio participa do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora há 12 anos. Desde então, ela já realizou nove acolhimentos, sendo a maioria deles de crianças com idade entre 6 e 10 anos, até que surgiu a oportunidade de acolher uma adolescente de 15 anos.

“No início, fiquei meio receosa, mas a equipe do Serviço Famílias Acolhedoras me convenceu e eu aceitei. A menina veio fragilizada, mas a experiência foi muito positiva. Tenho certeza que fiz uma grande diferença naquele momento da vida dela”, conta Bernadete.

Após o sucesso da primeira experiência, a professora abriu mais uma vez a sua casa e o seu coração e, atualmente, acolhe uma menina de 12 anos que se encontra em processo de adoção.

“Ela me traz muitas coisas boas, carinho, agradecimento pelo acolhimento que a minha família proporciona a ela. Passamos a manhã juntas, à tarde ela estuda na escola onde eu leciono e, à noite, mesmo ela tendo o seu próprio quarto, gosta de estar comigo. Ela é muito parceira”, destaca Bernadete.

Sobre a percepção em relação ao acolhimento de adolescentes, a professora destaca: “Muitas vezes, os adolescentes são os que mais precisam e os que menos recebem. Ter acesso ao acolhimento familiar tem uma dinâmica muito diferente do acolhimento institucional. Eles precisam de muito cuidado, escuta e segurança emocional. E isso só vão encontrar em uma família. As famílias precisam se abrir, ter um olhar diferente e mostrar que eles têm chance e podem sonhar com um futuro melhor”, ressalta.

Como se tornar uma Família Acolhedora

O acolhimento familiar é difundido mundialmente. A medida de proteção está prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para crianças e adolescentes que precisam ser afastados temporariamente de sua família de origem. Esta medida é excepcional e provisória, e não deve ultrapassar 18 meses.

Pode se inscrever no serviço quem tem mais de 21 anos que resida em Joinville por período superior há um ano e possua renda (individual ou familiar). O candidato também pode indicar o perfil da criança ou adolescente que deseja acolher, de acordo com a sua habilidade e disponibilidade.

Não podem participar pessoas que estão cadastradas na lista nacional de adoção e todos os membros da família devem consentir com o acolhimento. As famílias devem ter tempo para garantir os cuidados essenciais ao desenvolvimento do acolhido.

Em Joinville, o serviço Família Acolhedora foi implantado em 2007. Nesse período, 154 famílias já foram habilitadas e 395 crianças e adolescentes foram acolhidos.

Em agosto, o serviço realizará mais uma capacitação para os candidatos inscritos. As inscrições não têm custo e podem ser feitas pelo site da Prefeitura de Joinville, onde estão disponíveis informações completas sobre o serviço.

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