Príncipes do Samba é a campeã do Carnaval de Joinville 2026

Publicada em 09/02/2026 às 08:03
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Em um dia de calor e muita folia, a Príncipes do Samba conquistou o título de campeã do Carnaval de Joinville 2026 neste domingo (8/2). Este é o 14º título da escola, que completa quatro décadas neste ano e que levou para a avenida um samba-enredo sobre o baobá, árvore sagrada na lenda Iorubá, que evoca a ancestralidade do povo negro.

“É uma emoção muito grande trazer esse legado, trazer de volta o Carnaval competitivo em uma escola de 40 anos, que luta para manter o Carnaval vivo. E é muito lindo ver que a comunidade veio e Joinville aderiu”, celebra Ana Paula Nunes Chaves, presidente da escola.

Em segundo lugar, ficou a Fusão do Samba, seguida pela Unidos pela Diversidade em terceiro e pela Unidos do Caldeirão em quarto lugar. Todas as escolas de samba receberam troféus.

Para o presidente da Liga das Escolas de Samba de Joinville (LIESJ), Gabriel de Paula, a volta do desfile competitivo contribui para o fortalecimento e crescimento da festa.

“A competição contribui muito para essa estética que nós vimos na avenida, para a organização e tudo mais. Mas, principalmente, essa confiança, essa certeza de que vai acontecer, quando o recurso vem, de que forma a gente pode trabalhar. Isso é o resultado de meses de trabalho justamente por conta disso: da confirmação do aporte financeiro do Governo do Estado e do apoio da Prefeitura para criar essa estrutura maravilhosa, que também evoluiu e cresceu neste ano”, detalha o presidente.

A vice-prefeita Rejane Gambin destacou a importância de o Carnaval ser realizado uma semana antes da data tradicional.

“Joinville não quer competir com nenhum Carnaval, nós temos a nossa própria festa e essa é a proposta de fazer uma semana antes: é um abre alas, um aquecimento. Um Carnaval de muita qualidade, segurança e animado para ser celebrado em família”, afirma a vice-prefeita.

“Ao longo da nossa história, o Carnaval esteve presente de diferentes formas, seja em clubes, sociedade e também na rua desde a década de 60, com os desfiles. Nós temos muito orgulho de afirmar que o Carnaval de Joinville tem muita alma. As escolas trabalham o ano inteiro para colocar esse desfile na avenida. Isso aqui é o ápice de um ano inteiro de trabalho”, comenta Guilherme Gassenferth, secretário de Cultura e Turismo de Joinville.

Desfile das Escolas de Samba encanta o público na avenida Beira Rio

Com cadeiras de sol, protetor solar e sombrinhas, os foliões se reuniram nas primeiras horas da manhã deste domingo (8/2) na avenida Beira Rio para acompanhar o Desfile das Escolas de Samba. Mais de 10 mil pessoas prestigiaram a festa. O evento, que estava marcado para sábado, foi adiado por segurança, devido à chuva volumosa e persistente que atingiu Joinville durante a noite.

Por conta do ajuste na data e hora do desfile, a Liga das Escolas de Samba de Joinville (LIESJ) e as Escolas optaram, em conjunto, por não computar a pontuação dos quesitos harmonia e comissão de frente. Neste caso, os jurados fizeram a avaliação e as notas foram compartilhadas com as escolas.

Segundo a LIESJ, nos dois quesitos foram necessários ajustes junto aos componentes em função do adiamento. Dessa forma, para não haver prejuízo na nota, a pontuação não foi contabilizada. Já os outros sete quesitos pontuaram normalmente: bateria, samba-enredo, evolução, enredo, alegorias e adereços, fantasias e casal de mestre-sala e porta-bandeira.

A primeira escola a entrar na avenida foi a Fusão do Samba, que celebrou as cinco décadas de história do JEC com o samba-enredo “50 anos de Joinville Esporte Clube – meu tricolor na avenida!”. Entre os destaques, a comissão de frente fez alusão à fusão entre Caxias e América, que deu origem ao JEC, e uma das alegorias trouxe o mascote do clube.

A Príncipes do Samba continuou a festa com um samba-enredo que exalta o baobá, árvore sagrada na lenda Iorubá. Com alegorias que destacaram a ancestralidade e a transmissão de saberes de geração em geração, inclusive com a matriarca de 94 anos em um dos carros, a escola levantou a avenida com seu samba-enredo.

Quem também conquistou aplausos do público foi a Unidos pela Diversidade, contando a história dos povos que habitaram Joinville antes da colonização, como a população negra e indígena. Com alas que fizeram alusão a pescadores, canoeiros e agricultores, a agremiação exaltou a memória de personagens que também construíram a cidade.

Já quem fechou o dia de desfile foi a Unidos do Caldeirão, que comemorou os 90 anos do futebol de várzea em Joinville. Nascida no Fluminense do Itaum, a escola fez uma homenagem ao clube e a outros times do esporte amador da cidade, com destaque também para a arbitragem e para a imprensa esportiva, representada em fantasias e alegorias.

Foliões celebram o Carnaval dentro e fora da avenida

Aos 70 anos, Iara Sílvia Alves de Brito diz que o Carnaval está no seu sangue. Neste ano, ela desfilou pela velha guarda da Príncipes do Samba e destaca que cada ano é diferente, mas sempre emocionante. “Desde adolescente, saio na mesma escola. É uma emoção indescritível, não dá para falar, dá um nó grande”, diz emocionada.

Quem também aproveita a folia desde criança é Débora Francine Cestrem, que é princesa na Corte do Carnaval de São Francisco do Sul e acompanhou o desfile em Joinville. “Eu sempre desfilei, desde nova, e esse ano está bem competitivo, as escolas estão vindo fortes”, destaca.

Ela foi ao desfile acompanhada de toda a família que, inclusive, levou cadeiras de praia e guarda-sol para curtir a festa com mais conforto. “Viemos preparadas. Eu adoro o Carnaval, sou apaixonada, e acho que é uma cultura muito importante”, complementa.

O empresário Guilherme Tiburcio também chegou cedo à avenida para acompanhar a escola do coração. “Está maravilhoso, a organização é impecável. Foi uma das melhores estruturas que Joinville poderia proporcionar para o Carnaval, que merece muito. O povo ama essa cultura e precisa ter essa valorização”, fala.

Visão aérea de desfile mostra carro alegórico com grande bola amarela

Carro alegórico mostra idosa vestida de azul e branco, com alegoria de leão e letreiro com a palavra Príncipes

Comissão de frente da escola com fantasias que remetem aos povos indígenas

Mestre-sala e porta-bandeira exibem a bandeira da Unidos do Caldeirão na avenida

Duas mulheres negras sorriem e seguram um troféu. Ao redor, homens e mulheres também em pé sorriem

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