Com 40 anos de história, Príncipes do Samba exalta a ancestralidade no Carnaval de Joinville 2026

Publicada em 27/01/2026 às 15:23
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Escola de samba mais antiga de Joinville, a Príncipes do Samba entra na avenida Beira Rio também como a maior campeã do Carnaval joinvilense: são 13 títulos que demonstram a longa trajetória da agremiação nascida na Sociedade Beneficente Kênia, criada por amigos que encontraram no samba uma maneira de se divertir e resistir.

“A Príncipes surge dentro do Kênia Clube, um clube de negros, de resistência. Um grupo de amigos que frequentava o clube entendeu que poderia criar um bloco e, do bloco, uma escola que fizesse essa parte cultural de trazer o samba para Joinville. São 40 anos de tradição com objetivo de mostrar que Joinville tem um Carnaval potente”, destaca Ana Paula Nunes Chaves, presidente da escola.

Para ela, a volta do desfile competitivo também contribui para desafiar as escolas e demonstrar a importância da festa para a cidade. “A gente quer resgatar, mostrar o quanto é importante essa cultura para Joinville e, além disso, consolidar a importância da escola nessa cidade”, ressalta.

Príncipes do Samba exalta a ancestralidade com samba-enredo sobre o baobá

O samba-enredo da Príncipes do Samba neste Carnaval exalta o baobá, árvore sagrada na lenda Iorubá. “É uma árvore que tem o tronco oco e, justamente por ser oca, os saberes ficam acumulados dentro dela. No continente africano, ela serve de sombra para as crianças estudarem, tem um significado muito importante”, explica a presidente.

Presente principalmente em Madagascar, a árvore também existe no Brasil. “A gente quer contar sobre essa árvore que tem raízes sólidas, que traz ancestralidade, onde o griô, que são os mais velhos, trazem oralidade, contam as histórias na sombra. É um resgate ancestral, em que temos na nossa quadra os mais velhos em conexão com os mais novos, o conhecimento passado de geração em geração”, diz Ana.

Na quadra do Kênia, foliões de todas as idades se divertem nos ensaios que estão a todo vapor para o desfile. “É um ambiente familiar. Temos desde crianças à nossa matriarca, que tem 92 anos, desfilando. É um trabalho de história, de resgate da nossa cultura, que é rica em detalhes, respeita os mais velhos e os mais novos”, ressalta.

O samba-enredo tem pesquisa da educadora Alessandra Bernardino e foi composto por Conrado Laurindo, presidente da Acadêmicos do Sul da Ilha, de Florianópolis. Já o cantor Pitty Menezes, intérprete da escola de samba carioca Mocidade Independente de Padre Miguel, foi quem gravou o samba-enredo.

Fantasias com talento joinvilense

Além de receber os ensaios, o Kênia também é o grande ateliê da escola, que está produzindo quase todas as fantasias em Joinville. “A comunidade está fazendo grande parte das fantasias. É muito legal ver que vamos para a avenida com fantasias confeccionadas aqui e que cada um vai ter um pouquinho do que vai para a avenida porque ajudou nesse processo de confecção”, conta Ana.

Ela ainda destaca que a escola se preparou o ano inteiro com formações de corte e costura, percussão, mestre-sala e porta-bandeira e passistas, por exemplo. “A gente quer mostrar na avenida o que fizemos durante esse tempo, a evolução da bateria, a comissão de frente, as passistas. A gente quer muito esse título”, diz.

Na escola de samba mais antiga de Joinville, a retomada do desfile competitivo representa novos desafios e uma contribuição a mais para manter viva a cultura carnavalesca. “A ideia é resgatar uma tradição de muitos anos, mostrar que podemos produzir um Carnaval à altura do que Joinville precisa”, complementa.

Escola de Samba Príncipes do Samba

Samba-enredo: “Baobá, a árvore sagrada: morada do tempo, saberes, memórias e resistência!”
Ano de fundação: 1986
Cores: azul e branco
Cerca de 600 componentes
Duas alegorias e três tripés
23 alas

Homem branco e mulher negra jovens dançam enquanto ela segura uma bandeira  

Homens e mulheres jovem se unem no centro de uma roda, todos com os braços para cima e punhos cerrados 

Mulher loira de óculos está próxima a uma mesa, onde manuseia cola e outros materiais para produzir fantasia

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