Secretaria de Educação oferece ensino bilíngue para alunos surdos da Rede Municipal de Ensino de Joinville

Publicada em 10/09/2026 às 10:39
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Secretaria de Educação oferece ensino bilíngue para alunos surdos da Rede Municipal de Ensino de Joinville

A Secretaria de Educação de Joinville promove um atendimento diferenciado para alunos surdos da Rede Municipal de Ensino, por meio do programa Mãos em Ação. Ele consiste em turmas exclusivas para os estudantes, em que a primeira língua é a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Atualmente, 56 alunos são atendidos em quatro unidades escolares consideradas polo para o programa: o Centro de Educação Infantil (CEI) Zé Carioca (Educação Infantil) e as escolas Léa Maria Aguiar Lepper (1º ao 5º ano do Ensino Fundamental), Sebastião Scarzello (1º ao 5º ano do Ensino Fundamental) e Anna Maria Harger (6º ao 9º ano do Ensino Fundamental).

Nessas unidades, os alunos são reunidos em turmas multisseriadas em que têm aulas com professores bilíngues, surdos ou ouvintes. Eles aprendem os mesmos conteúdos estudados pelos alunos ouvintes, porém de uma forma diferenciada levando em consideração as especificidades da língua.

Além disso, todos os alunos ouvintes, professores e comunidade das escolas-polo têm acesso a aulas de Libras para que possam interagir com os estudantes surdos da unidade. A gerente de Apoio à Aprendizagem da Secretaria de Educação, Deyse Zapelini Faust, conta que a preparação das unidades escolares para atender os alunos surdos também passa pela capacitação dos profissionais que trabalham nesses locais.

“A Secretaria de Educação oportuniza formação desde Libras básico até o avançado todos os anos. Esses cursos são abertos para a cozinheira, o zelador, os professores e toda a área administrativa da unidade escolar para que todos tenham contato com a língua. Isso porque os nossos estudantes precisam acessar espaços como a recepção, o refeitório e o recreio. Então, é importante que esses espaços tenham contato com a Libras”, explica.

Espaço de inclusão e aprendizado

As turmas bilíngues fazem diferença na vida dos estudantes e um dos protagonistas dessa transformação é o professor surdo Killian Ferreira, que atua na Escola Municipal Professora Anna Maria Harger. Quando era criança, ele estudou em uma sala de aula apenas com alunos ouvintes, o que prejudicou seu aprendizado.

“A explicação do professor era bem difícil de entender. Hoje, como professor, melhorou bastante, consigo ensinar os alunos surdos e ter essa troca de aprendizado com eles”, conta.

Atualmente, 21 alunos surdos estudam na escola Anna Maria Harger e, entre eles, está Julia Schubert Araújo, de 11 anos. Ela conta como a turma bilíngue é importante para o aprendizado em sala de aula.

“É bem legal, com os professores ensinando em Libras é muito bom. A gente conversa, brinca junto com todos os outros alunos. Aprendemos bastante aqui”, descreve.

Para a diretora Lucelia Krelling, a experiência da escola ser um polo bilíngue é gratificante porque é possível sentir o tempo todo que se está cumprindo uma função social.

“É a certeza de que a pessoa surda tem apenas essa limitação da língua porque eles conseguem aprender como os demais, apenas de uma maneira diferente. Eles conseguem se comunicar e interagir com os demais estudantes em todos os momentos e atividades, então é a certeza de que a gente está no caminho certo”, aponta.

Como funciona o ensino bilíngue em Joinville

Na Educação Infantil, as crianças surdas costumam ser matriculadas na unidade sabendo apenas sinais caseiros para indicar atividades diárias. É no CEI que elas, geralmente, vão começar a ter contato com a Libras como primeira língua e o Português como segunda língua.

Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a professora pedagoga trabalha com o currículo da Rede Municipal de Ensino adaptado às especificidades dos estudantes surdos, com o objetivo de alfabetizá-los e avançar no aprendizado em sala de aula.

Quando eles chegam aos anos finais, há aulas de diferentes componentes curriculares, em que professores bilíngues ajudam o professor na adaptação de conteúdos e interpretação em Libras. Há ainda aula de Libras com um professor surdo, que trabalha as especificidades da língua com os alunos.

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