A Secretaria de Educação de Joinville realizou uma pesquisa de clima escolar para entender como estão os adolescentes da Rede Municipal de Ensino e o que a escola pode fazer para contribuir para o melhor bem-estar dos estudantes. O levantamento apontou a percepção dos alunos sobre temas diversos envolvendo a unidade escolar, além de hábitos de vida e saúde mental.
A pesquisa foi aplicada durante o mês de junho, com 2,6 mil estudantes de 54 escolas municipais que atendem do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. Foram sorteados pelo menos 12 alunos de cada ano escolar, dos turnos matutino e vespertino. A partir dos resultados, os indicadores foram padronizados em uma escala de 0 a 100, em que o maior número aponta o cenário mais favorável.
Do ponto de vista de clima escolar, o maior destaque ficou com a segurança (71,5 pontos), com os alunos relatando perceberem a escola como um ambiente seguro. Outro ponto positivo foi a percepção de justiça e clareza das regras (66,7 pontos), o que significa que os estudantes conhecem as regras dentro da unidade escolar e as entendem como justas.
Além disso, a percepção da qualidade da relação entre professores e alunos também apresentou um nível favorável (66,4 pontos), demonstrando que os estudantes percebem que os docentes se preocupam com eles, os escutam quando têm problemas e se importam com o seu bem-estar.
Já no âmbito da família, houve o destaque para a percepção da qualidade da conexão social dos estudantes com os pais (72,9 pontos) e do suporte familiar para a aprendizagem (65,5 pontos). Neste sentido, as unidades escolares já vêm auxiliando o fomento de práticas parentais positivas, por meio de ações como o programa Escola de Pais.
Os dois indicadores envolvendo as famílias são importantes e se relacionam diretamente com os resultados da aprendizagem, apresentando uma correlação significativa com indicadores de proficiência em Matemática, Língua Portuguesa e de frequência das unidades escolares.
Bullying, saúde mental e hábitos de vida são pontos de atenção
Por outro lado, o bullying entre os estudantes é um dos principais pontos de atenção evidenciados pela pesquisa, alcançando 49,5 pontos na escala de 0 a 100. Os alunos apontaram que a prática existe dentro da escola e que eles se preocupam em serem vítimas de outros colegas.
“A gente vê cada vez mais nas escolas episódios preocupantes em relação à saúde mental dos estudantes, principalmente entre os adolescentes, por isso decidimos fazer essa pesquisa. Entendemos que hoje esse é um problema de grandes proporções e a escola tem o papel de ser um ambiente seguro, em que o adolescente é acolhido, sente-se pertencente e motivado. Isso é importante porque se esses alunos estiverem bem, eles também terão uma melhor aprendizagem”, explica o secretário de Educação, Diego Calegari.
Já em relação aos hábitos de vida, os números mostram que os alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental realizam atividades físicas, em média, quatro dias por semana, abaixo da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), de sete dias por semana.
As informações estão sendo sistematizadas para que o município possa criar um grande plano de ação para 2027, visando a melhoria dos indicadores.
Uso de telas também está entre pontos críticos
A pesquisa demonstrou ainda que 71% dos estudantes usam mais de 2 horas de telas por dia, sendo que a média da Rede Municipal de Ensino é de 3,5 horas por dia. Além disso, a supervisão parental de telas teve o indicador de 41,8 pontos, dentro da escala de 0 a 100, com destaque principalmente para a falta de regras sobre os dias da semana em que as telas podem ser usadas e também sobre o uso de telas antes de dormir.
“A pesquisa revelou o que a gente imaginava, que nossos adolescentes ficam tempo demais na tela, muito além do recomendado pela Organização Mundial da Saúde, e grande parte deles sem supervisão parental adequada. E vemos uma relação direta entre isso e indicadores de depressão, ansiedade e sentimento de solidão. Então, precisamos atacar esse problema de frente”, ressalta o secretário de Educação.
Em razão da preocupação com o uso consciente de telas, a Secretaria de Educação tem atuado em uma campanha para sensibilizar crianças, adolescentes e familiares para uma utilização mais consciente das tecnologias. O objetivo é debater com as famílias os cuidados necessários com as telas e a importância dos momentos desconectados de smartphones, computadores e outros dispositivos eletrônicos.