Joinville transforma resíduos do tratamento de água em produtos sustentáveis

Publicada em 04/02/2026 às 17:31
Relacionado a: Companhia Águas de Joinville - CAJ

A Companhia Águas de Joinville adotou uma solução inovadora que transforma o lodo, formado por resíduos do tratamento de água, em matéria-prima para a indústria cerâmica. Antes descartado em aterros, o lodo da Estação de Tratamento de Água (ETA) Cubatão agora é utilizado na fabricação de tijolos e peças decorativas.

“Desde o início da operação, em janeiro de 2025, foram produzidos cerca de cinco milhões de tijolos que contêm lodo de ETA. A proposta alia preservação ambiental e viabilidade econômica”, destaca Sidney Marques de Oliveira Junior, diretor-presidente da Águas de Joinville. Além de reduzir a extração de argila em jazidas naturais, a solução diminui o custo da produção de tijolos em até 20% com a adição do lodo e componentes minerais.

A Águas de Joinville não comercializa as peças cerâmicas, o que fica a cargo de empresas parceiras, mas, além de adotar uma solução mais sustentável, reduz custos com o transporte do lodo, gerando uma economia de cerca de R$ 40 mil por mês.

Entre janeiro e dezembro de 2025, mais de 3 mil toneladas de lodo da ETA Cubatão foram aproveitadas. O gerente de Governança, Risco e Conformidade da Águas de Joinville, e responsável pelo escritório de Inovação, Thiago Zschornack, conta que a operação começou em janeiro, com o envio de 150 toneladas mensais para a indústria cerâmica. “Nos dois primeiros meses, utilizamos uma parte dos resíduos. Mas a partir de março, alcançamos 100% de aproveitamento do lodo produzido na ETA Cubatão”, destaca.

Até o fim de 2024, os resíduos do tratamento de água da ETA Cubatão eram enviados a aterro sanitário, conforme orienta a legislação ambiental. Mesmo com disposição adequada, o lodo de ETA em aterros ainda pode liberar gases do efeito estufa. “Já fazíamos a destinação correta dos resíduos da ETA, mas agora atingimos outro patamar de sustentabilidade. Com a nova aplicação do lodo, o resíduo passa a ser inerte, reduzindo ainda mais seu impacto no meio ambiente”, afirma o gerente de Água da Companhia, Lucas Emanuel Martins.

Todo esse projeto voltado ao lodo de ETA iniciou em 2022, desenvolvido em parceria com a empresa Follow Compound Soluções Sustentáveis, a partir de uma chamada pública promovida pelo escritório de inovação da Companhia, o InovaCAJ. A Follow Compound foi uma das empresas selecionadas para aplicar uma solução para aproveitamento do lodo de ETA. Em 2023, a ideia passou por uma prova de conceito, foi testada em pequena escala e aprovada em 2024.

A estação do Cubatão, que abastece 78% da cidade, por mês produz mais de 4 bilhões de litros de água e gera 348 toneladas de lodo.  A outra estação de tratamento de água de Joinville, a ETA Piraí, que atende 22% do município, gera mensalmente 15 toneladas de lodo, quantidade que também será destinada à produção de peças cerâmicas após as obras de modernização da unidade.

Iniciativa premiada

Em dezembro do ano passado, a iniciativa para aproveitamento do lodo de ETA foi premiada. Intitulado “Saneamento Circular: do lodo à cerâmica sustentável”, o projeto venceu o 1º Prêmio INOVACIJ, promovido pela Associação Empresarial de Joinville, na categoria produto e no segmento empresa de médio porte.

O projeto desenvolvido coloca a Águas de Joinville em destaque como primeira empresa de saneamento no Brasil a destinar o lodo de ETA para aplicação na indústria cerâmica de forma estruturada e como primeira empresa de saneamento a utilizar a modalidade Contrato Público de Solução Inovadora – CPSI para contratação via edital de chamada pública, um dispositivo trazido pelo Marco Legal das Startups, instituído em 2021.

Como o lodo se transforma em insumo para a indústria cerâmica

Após a etapa de produção de água, os resíduos gerados seguem para a Estação de Tratamento de Lodo (ETL), localizada dentro da área da ETA Cubatão, onde passam por um processo de prensagem. O lodo que sai da ETL, que contém cerca de 20% de sólidos, é transportado até a cidade de Tijucas (SC), onde é beneficiado e armazenado em um galpão.

Amostras do lodo são levadas a um laboratório especializado em cerâmica, a Safira Soluções Minerais, onde são analisadas criteriosamente por meio de processos físicos, químicos e térmicos. A partir do resultado das análises, a equipe de processamento é orientada para executar a mistura tecnicamente adequada de argila e lodo.

“Utilizamos cerca de 40 a 60 gramas de lodo para cada quilo de argila. A proporção não é fixa porque a composição do lodo varia, dependendo das condições naturais do manancial”, explica Célio Telles, diretor do laboratório Safira Minerais.

Após o processamento, a equipe da empresa Safira efetua novas amostragens para realização de mais análises laboratoriais, a fim de garantir a qualidade do produto final. Se aprovado, o lote do material é transportado para uma fábrica de cerâmica estrutural em Canelinha (SC) e incorporado à produção de tijolos.

As cidades de Tijucas e de Canelinha, localizadas na região metropolitana de Florianópolis, são conhecidas pela economia baseada em insumos para a construção civil, como a produção de tijolos e telhas. Os produtos são comercializados principalmente em Santa Catarina, mas também são enviados para outros estados brasileiros.

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