Impressora 3D contribui para otimizar tratamentos ortopédicos no Hospital Municipal São José em Joinville

Publicada em 04/02/2026 às 09:48
Relacionado a: Hospital Municipal São José - HMSJ

A tecnologia vem ajudando a otimizar tratamentos e procedimentos ortopédicos no Hospital Municipal São José de Joinville, com a utilização de uma impressora 3D que reproduz partes de ossos que sofreram fraturas ou fissuras.

Há cerca de 10 anos, o médico ortopedista Guilherme Stirma estuda e usa os biomodelos tridimensionais em seu trabalho e, agora, ajudou a implantar esse recurso no hospital ao intermediar o contato com a importadora Slim 3D Impressoras, empresa que fez a doação da impressora para o hospital.

De acordo com o médico do setor de Ortopedia e Traumatologia do hospital, as impressões em 3D são cada vez mais utilizadas na área de ortopedia, proporcionando aos profissionais a realização de diagnósticos mais assertivos e, consequentemente, melhores resultados para os pacientes.

“Com o advento da tecnologia estamos melhorando a programação pré-operatória dos pacientes. A ideia de trazer esse recurso para o sistema público de saúde tem o objetivo de melhorar a performance no planejamento das cirurgias e, também, incrementar o aprendizado dos médicos residentes que estão em formação”, destaca.

De fabricação chinesa, a impressora 3D Creality CFS que foi doada para o setor de ortopedia é reconhecida como um equipamento de ponta e de fácil operacionalização.

“Esse tipo de equipamento começou a ser utilizado no mercado há cerca de 10 anos, mas eram maquinários grandes, caríssimos e com muitos comandos manuais. Nos últimos cinco anos começou a ser mais acessível. Hoje, as máquinas são mais automatizadas e funcionam de forma mais simplificada”, explica Guilherme.

Análise em detalhes com dimensões reais

Os biomodelos impressos em 3D geralmente são utilizados em casos mais complexos atendidos no setor de Ortopedia e Traumatologia do Hospital São José nos quais geralmente são necessárias intervenções cirúrgicas.

A partir de exames de imagem, como tomografias e ressonâncias, a impressora converte as informações digitais em instruções físicas que serão reproduzidas no biomodelo tridimensional, construído em material plástico.

Além de poder reproduzir ossos de qualquer tamanho, outro aspecto importante é que a impressora reproduz o biomodelo com as dimensões exatas do paciente, permitindo ao médico fazer uma análise precisa do tratamento e procedimentos a serem realizados.

Segundo o ortopedista Guilherme Stirma, desde que a impressora foi instalada, no mês de novembro do ano passado, já foram feitas cerca de 50 impressões para tratamentos de regiões de quadril, pé, ombro, joelho, tornozelo, coluna e outras partes ósseas.

“Quando você olha a imagem no monitor do computador, você tem percepção bidimensional, são imagens em planos lineares. Já com uma peça tridimensional, a gente entende que tem volumetria, superfície de área, que é uma situação completamente diferente”, destaca.

E ele completa: “o cirurgião é tátil, tudo que você pega e sente é absolutamente mais plausível ao entendimento do que apenas visualizar. Se você fizer um estudo de forma bidimensional, você tem um resultado, mas hoje, com o advento dessas tecnologias, com aumento do entendimento em volumetria, você consegue ter mais percepção da dificuldade que vai encontrar e da melhor forma como vai resolver o problema”.

Tecnologia como ferramenta de aprendizagem

Ainda pouco disponível na área da saúde pública e particular em âmbito nacional, a impressora 3D representa um diferencial para o Hospital Municipal São José de Joinville e pode vir a ser aproveitada por outras especialidades.

Além de ser uma importante ferramenta de trabalho para a equipe médica, a tecnologia também vem sendo utilizada pelos residentes do Hospital São José.

Para o médico residente Annibal Nakamura, o contato com o equipamento em um hospital público foi uma surpresa.

“Eu nunca esperava encontrar essa tecnologia em um hospital público. É algo fenomenal para o nosso aprendizado. Poder conhecer e manusear esse equipamento é uma oportunidade ímpar”, afirma o residente.

Sobre as vantagens que o equipamento proporciona, ele destaca: “A automação e a tecnologia facilitam o planejamento pré-operatório. Isso dá mais segurança tanto para o cirurgião quanto para o profissional que está em formação. Já utilizei a impressão 3D diversas vezes para planejamento, discussões, para ter conhecimento biomecânico. Cada fratura é diferente e termos essa visão tridimensional é algo diferente mesmo”.

 

 

 

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