Em setembro, o Museu de Arte de Joinville (MAJ) celebra 50 anos de história e uma exposição especial está sendo preparada para marcar a data. Para que a exposição antiga seja desmontada e a nova preparada para a visitação, entre os dias 25 de agosto e 2 de setembro, o Museu estará fechado para o público.
O aniversário é celebrado em 3 de setembro e estão previstas atividades culturais e abertura de nova exposição neste dia. A programação do cinquentenário parte do próprio acervo, formado por mais de mil obras e pelas relações construídas pelo museu com artistas e instituições ao longo das últimas cinco décadas.
“A nova exposição terá um olhar histórico sobre as relações que o MAJ construiu ao longo desses 50 anos. Isso envolve desde as primeiras doações e transferências de obras até os intercâmbios, as parcerias com artistas e as ações de preservação, pesquisa e difusão realizadas pelo museu. O acervo conta não apenas a trajetória das obras, mas também as conexões estabelecidas com a produção artística de Joinville e de Santa Catarina”, destaca a coordenadora do MAJ, Ângela Peyerl.
A exposição se estende pelo porão do MAJ, onde propõe um diálogo com artistas da Associação de Artistas Plásticos de Joinville (AAPLAJ), instituição que tem sua trajetória ligada à própria história do museu. A proposta é apresentar também quem produz arte em Joinville hoje, abrindo espaço para novos artistas e para a produção contemporânea da cidade.
50 anos de arte
Antes de receber obras de arte, o prédio onde hoje funciona o Museu de Arte de Joinville (MAJ) já fazia parte da história de Joinville. Construído por volta de 1864 para abrigar Ottokar Doerffel e sua esposa Ida Günther, o casarão foi residência do imigrante alemão que também foi prefeito e fundador do primeiro jornal da cidade. O imóvel, com características da arquitetura colonial alemã, foi tombado como patrimônio histórico em 2001.
Criado em 15 de maio de 1973, o MAJ abriu as portas ao público em 3 de setembro de 1976. Ao longo dos anos, formou um acervo com obras de artistas de Joinville e de toda Santa Catarina, além de nomes nacionais como Lygia Clark, Aldemir Martins e Renina Katz.
A potência do MAJ também aparece nas grandes exposições que trouxe a Joinville. Em 1990, o museu recebeu, por empréstimo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), os oito painéis da Série Bíblica, de Cândido Portinari. A mostra exigiu um esquema especial de segurança, com vigilância policial 24 horas por dia e o porão do casarão transformado em uma espécie de bunker. O mesmo cuidado foi necessário nas exposições de esculturas dos franceses Edgar Degas, em 1992, e Camille Claudel, em 2007.
O que o MAJ guarda
Entre as peças que ajudam a contar a trajetória do Museu de Arte de Joinville está “O Albergue”, do paranaense Luiz Carlos de Andrade Lima. A pintura a óleo sobre madeira foi adquirida pela Prefeitura de Joinville em 12 de agosto de 1969, por Cr$ 150 (cento e cinquenta cruzeiros), e é a primeira obra registrada no livro-tombo do museu, quatro anos antes de sua criação oficial.
Andrade Lima foi um artistas de muitos ofícios: pintor, professor e também poeta, além de outras mais. Em sua produção, manteve o olhar voltado para cenas e personagens do cotidiano.
Poucos anos depois, em 1976, outra obra importante chegaria ao recém-inaugurado museu. “Envolvente e envolvido”, de Lygia Clark, foi doada pelo crítico de arte Salvio de Oliveira durante uma audiência com o então prefeito Pedro Ivo Campos. A escultura, formada por alumínio, cobre e latão, pertence à produção de uma das artistas brasileiras mais importantes do século 20, conhecida por aproximar a arte da participação e da experiência sensorial.
Da primeira obra registrada no livro-tombo a uma peça de uma artista reconhecida internacionalmente, o acervo do MAJ foi construindo sua própria história, reunindo diferentes artistas, linguagens e caminhos.