“Aqui na Vigorelli é tão sossegado que os cachorros nem latem”. A frase da moradora Vera Lúcia Lara Pereira descreve a paz de um dos cenários mais bonitos de Joinville. Mas, até dois anos atrás, um som era constante nesse paraíso: o forte ruído dos geradores que queimavam combustível para fornecer energia aos habitantes da Vigorelli.
“O gerador supria as nossas necessidades, mas só as mínimas. A gente não podia ter os eletrodomésticos que temos hoje, né? Era só o básico mesmo para poder manter uma casa. E o custo era muito alto. Nosso gerador consumia um litro de gasolina por hora. Então usávamos o mínimo possível para refrigerar o que precisava, e depois tínhamos que desligar. Era uma coisa extremamente barulhenta. E aí todos os moradores com gerador. Imagine o barulho que era isso aqui de noite”, lembra Vera Lúcia.
Por meio da urbanização da Vigorelli, realizada pela Prefeitura de Joinville, a energia elétrica chegou aos moradores da Vigorelli no dia 6 de fevereiro de 2024, quando foram inauguradas a ampliação da rede de média e baixa tensões e a instalação de 122 postes de iluminação pública.
Depois de mais de três décadas de espera, os moradores viram a instalação, por parte da Celesc, dos kits poste padrão, que levaram a energia elétrica até residências e comércios instalados na Vigorelli.
De um dia para o outro os habitantes da localidade tiveram acesso ao que os demais joinvilenses podiam fazer com a facilidade de simplesmente acionar um interruptor para acender a luz ou plugar um aparelho em uma tomada.
“Mudou da água para o vinho. A primeira coisa que eu fiz foi comprar uma geladeira melhor. E um micro-ondas, que sempre sonhei e não podia ter. Também comprei um forno elétrico, porque eu gosto muito de fazer bolos. E aí logo em seguida um ar-condicionado para ter mais conforto, pelo menos para dormir, né?”, relata Vera Lúcia.
Água gelada para beber e negócios aquecidos
Moradora há 33 anos da Vigorelli, Mara Rubia de Souza também lembra como foi a chegada da energia elétrica na localidade. Dona Mara tinha um gerador pequeno, à gasolina, que só usava quando ia lavar roupa.
“Quando veio a luz foi maravilhoso. Agora, a gente pode ter uma geladeira, a gente pode ter um freezer, um forninho elétrico e usar tudo, não é? A geladeira, Nossa Senhora, a geladeira faltava. Porque quando a gente queria tomar uma água gelada precisava ir para fora da Vigorelli comprar gelo. Agora, é só pegar na geladeira”, diz Mara Rubia.
A urbanização da Vigorelli também alavancou a renda de Dona Mara, que usa o pátio da sua casa como estacionamento privado para os visitantes. E ela montou no local uma banquinha para vender alimentos e bebidas.
“Eu montei uma barraquinha para mim, para vender um milho cozido. Antes da energia elétrica eu botava numa mesinha e ficava ali só fazendo o milho cozido. Hoje eu posso vender uma água, um refri, um salgadinho”, conta.
Outro morador da Vigorelli que teve seus negócios alavancados pela energia elétrica é Marcelo Pinzegher. Com a reurbanização da área, o restaurante dele, que antes vendia uma média de 200 quilos de peixes por mês, passou a vender mais de duas toneladas de pescados no mesmo período.
“Aqui mudou tudo. Hoje, praticamente nós não damos conta da demanda do pessoal que vem pra Vigorelli. Não só no meu estabelecimento, mas em todos os restaurantes. Chega um ponto no fim de semana que nós não conseguimos atender a demanda, devido às melhorias que fizeram aqui, a revitalização da Vigorelli, e, principalmente, a energia elétrica. Essa foi fundamental, um ponto chave de tudo”, diz Marcelo.
Praticamente nascido e criado na Vigorelli, ele lembra de tempos bem diferentes, na sua infância. “Antes da luz, era um sofrimento, era um caos. Tudo era um breu, uma escuridão. Chegava uma certa hora, desligava o gerador e era tudo uma escuridão. Não tinha movimento, a estrada não era pavimentada, o pessoal tinha medo de vir para cá, medo de assalto. E, graças a Deus, nunca teve problema de assalto para essa região. É muito abençoado o lugar”, garante Marcelo.
Energia elétrica chegou acompanhada de mais infraestrutura
A secretária de Habitação de Joinville, Tereza Couto, afirma que a inauguração da energia elétrica na Vigorelli foi a entrega mais emblemática de que já participou em toda a sua trajetória na Prefeitura de Joinville.
“A energia elétrica é uma infraestrutura essencial. Eu acredito que qualquer pessoa, em qualquer lugar do planeta, não consiga se ver sem isso. Então, foi realmente um virar de página para toda aquela população”, emociona-se Tereza.
A urbanização da Vigorelli também contemplou a pavimentação asfáltica do acesso, pavimentação com paver da orla e de ruas que integram a vila, calçadas, ciclovia, postes de iluminação, paisagismo, parquinho para as crianças, rampas de acesso para embarcações, sinalização, uma nova rede de água, ampliação da rede de esgoto e estação de tratamento de esgoto.
“Foi uma urbanização completa. Hoje, a Vigorelli entrou no ordenamento formal da cidade e tem toda a infraestrutura básica necessária para uma família ter realmente uma habitação de qualidade”, aponta a secretária de Habitação.
A urbanização da Vigorelli foi possível após a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta, em 2021, entre a Prefeitura de Joinville e o Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

