No Centro de Bem-Estar Animal (CBEA) de Joinville há cerca de 30 animais idosos à espera de adoção. Em geral, são pets mais calmos, que não precisam de espaços maiores e oferecem companhia e carinho às famílias tutoras.
“Eles já estão castrados, microchipados, vacinados e fizeram todo o atendimento médico veterinário que precisavam. A gente reforça que um animal idoso pode ser uma excelente oportunidade para uma família que não tem muito espaço ou que mora em apartamentos, e eles são ótimas companhias”, explica Elisabet de Sousa Mendes, gerente do CBEA.
Em geral, um cão é considerado idoso a partir dos 10 anos de idade, o que pode variar também de acordo com o porte, a raça e os cuidados recebidos.
De acordo com os técnicos do CBEA, o comportamento dos animais idosos é conhecido pela equipe.
“Ao pegar um filhote, os tutores querem que a gente diga que tamanho vai ficar, o comportamento e ainda não temos essas informações principalmente porque são animais abandonados, não sabemos a origem. No entanto, quando alguém vai ao CBEA buscar um idoso, a gente já sabe exatamente o comportamento dele”, explica Elisabet.
Família comemora adoção de cachorrinha idosa
Há várias histórias felizes de adoções de animais mais velhos no CBEA. “A grande maioria vai em busca de um filhote e quando chega se surpreende, se apaixona por um cão que já tem um pouco mais de idade, que está muito bem de saúde e promove uma relação muito legal com a própria família que vai lá procurar”, conta a gerente.
A Nina é um desses casos. Ela foi uma das primeiras moradoras do CBEA e viveu por ali durante 14 anos, até a chegada da família de João Paulo. Eles a conheceram e a levaram para casa junto com os outros cinco cães que já tinham.
“A Nina é uma superação porque é uma cachorrinha que teve uma história muito difícil, ficou 14 anos em abrigo. Nós fomos responsáveis pela adoção dela e estamos no processo de adaptação, mas evoluiu muito. Temos seis cães, três deles estão conosco há um tempo”, conta o empresário e tutor da Nina, João Paulo Tomaz.
No começo, ela era mais arredia com as pessoas, mas a família tem se dedicado à melhor adaptação possível. “Estou me dedicando, me dediquei muito e vou me dedicar ainda mais em fazer ela se adaptar totalmente em casa. Ela brinca com os outros cães, interage, tem o cantinho dela, se alimenta muito bem”, conta.
O empresário, aliás, diz que prefere cuidar dos cães mais idosos. “Eu particularmente prefiro cães adultos do que filhotes pelo entendimento que eles já têm. As pessoas deveriam buscar conhecer melhor o manejo com cães adultos e dar uma chance a eles. A infância de um cão filhote dura muito pouco para ter tanta preferência assim por um filhote. Vale a pena sim dar uma chance pra um idosinho ou uma idosinha que nem a gente fez com a Nina, nossa sapequinha. Ela mudou a nossa vida. Nós a amamos e zelamos por ela. O sentimento é de missão cumprida, aquece o coração da gente”, diz João Paulo.
Conheça alguns dos idosos à espera de um novo lar no CBEA
Entre os cerca de 30 cães idosos do CBEA, está Patu, de 12 anos. Ela chegou ao CBEA em 2017 e é o animal há mais tempo na instituição. A cachorrinha tem uma alteração nos olhos, além de dermatite atópica, o que exige cuidados diários. Ela tem personalidade forte, é muito fiel aos colaboradores do CBEA e gosta de pegar sol e de carinho na barriga.
Outro animal que está no Centro de Bem-Estar Animal é o Pirata, também de 12 anos. Ele está no CBEA desde 2023, quando foi resgatado debaixo da Ponte do Trabalhador. Por causa de um machucado, foi necessário remover um dos olhos, mas nada disso abala esse idoso, que é dócil e muito calmo.
As famílias que procuram pela companhia de um cão mais velho também podem conhecer o Brahma, de oito anos. Ele chegou no CBEA em 2023, recolhido de maus-tratos.
“Pedimos para que as pessoas conheçam nossos animais, pois eles merecem uma segunda chance. Já passaram por muita coisa e agora merecem estar em um lar, recebendo o carinho de uma família. Embora tenham todo o cuidado médico veterinário e o tratamento que precisam no CBEA, sua família pode dar muito mais amor e carinho”, fala Elisabet.
Além das feiras de adoção presenciais, o CBEA promove a feira virtual permanente Adote um Amigo. Para conhecer os pets disponíveis, basta acessar o link ou o aplicativo Joinville Fácil, onde também é possível começar o processo de adoção.
Prefeitura oferece atendimento vitalício a cães idosos ou com doenças crônicas que forem adotado no CBEA
Para motivar as adoções de animais idosos, foi sancionada no final de dezembro de 2025 a Lei Complementar 747, que institui o atendimento vitalício de serviços veterinários a cães e gatos idosos ou portadores de doenças crônicas adotados no Centro de Bem-Estar Animal. A Lei é de autoria da vereadora Tânia Larson.
O objetivo da nova lei é dar melhores condições de vida a animais que vivem muito tempo no CBEA e com pouca procura nas adoções.
“O CBEA continuará dando suporte de atendimento a esse animal, lembrando que são os animais adotados no CBEA, advindos do município. A ideia da lei é justamente fazer com que esses animais melhorem a sua qualidade de vida. Se forem para uma família, vão continuar com o tratamento que o município vai subsidiar, mas ainda terão o carinho e o amor desta família. A gente acredita que a recuperação desses animais será melhor e terão uma vida mais digna e muito mais feliz”, reforça Elisabet.