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Mãe descobre o Centrinho por rede social e cria página em homenagem ao serviço

O casal florianopolitano Vanessa Corrêa da Silva, 32 anos, e Fábio de Paula Vieira, 33 anos, fizeram de Joinville a sua segunda residência. A ex-bancária e o analista de sistemas vem à cidade, quinzenalmente, para acompanhar o tratamento oferecido pelo Centrinho Prefeito Luiz Gomes ao filho de oito meses, Vinícius Corrêa Vieira. O bebê nasceu com labiofissura palatal, assim como os milhares de pacientes de 255 municípios catarinenses atendidos nesse serviço de reabilitação funcional.

Aos cinco meses de gravidez quando fazia o exame de ultrassom morfológico, Vanessa descobriu que seria mãe de uma criança com fenda palatina. “Eu e meu marido ficamos chocados com a notícia naquele momento, pois não tínhamos histórico genético e, muito menos, contato com qualquer substância tóxica que levasse a essa provocação. Mas conseguimos superar tudo com o apoio da família. Dias depois, pesquisávamos tudo sobre as lesões labiopalatais e percebemos que nosso filho conseguiria ter uma vida normal”, recorda a mãe.

Por residirem em Florianópolis, o primeiro local que o casal procurou para obter informações foi o curso de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina. Vanessa e Fábio também pesquisaram os profissionais que atendiam pelo plano de saúde particular, mas perceberam que o tratamento ia demandar a procura de vários profissionais como fonoaudiólogo, pediatra, cirurgiões-dentistas de várias especialidades e fisioterapeuta para acompanhar o filho que ainda estava no útero materno.

Os pais também resolveram compartilhar em uma rede social a notícia sobre a má-formação no lábio e no palato com a qual Vinícius nasceria. Essa era uma forma de evitar e quebrar o preconceito que o bebê poderia sofrer, segundo eles. “Queríamos mostrar o quanto estávamos felizes, mesmo cientes do tratamento que nosso filho teria de passar. Recebemos inúmeras mensagens de carinho. Mas a mensagem mais importante veio de uma amiga, que me recomendou o Centrinho, em Joinville”, alega a mãe.

Vanessa ainda conta: “Sinceramente, fiquei desconfiada que um serviço público pudesse oferecer um serviço tão qualificado como diziam e, ainda, reunir tantos profissionais num só local. Decidimos visitar o Centrinho e ficamos impressionados com a estrutura e com a recepção que os profissionais ofereciam para cada família. Então eu disse a mim mesma: Esse serviço é que vai dar o tratamento para o meu filho!”.

Durante a gestação, Vanessa e Fábio já conheceram todos os profissionais do serviço. A mãe de primeira viagem buscava informações para que, desde o parto, o bebê não passasse por complicação quanto ao aleitamento. “Se eu fosse gerar o Vinícius em Joinville, receberia o auxílio de profissionais do serviço na própria maternidade para ajudar no momento do aleitamento. Em Floripa, decidimos contratar uma fonoaudióloga, para que o bebê conseguisse fazer a sucção do leite materno imediatamente após o parto. Meu medo era que ele tivesse desnutrição por não conseguir ingerir nutrientes”, revela.

Ao completar 19 dias de vida, Vinícius fez sua primeira visita ao Centrinho. Durante a avaliação clínica do bebê, os profissionais analisaram que ele tinha condições de usar uma placa ortopédica no palato, material que favorece o alinhamento do arco dentário e a elevação da asa nasal.

O uso da placa, no entanto, demanda manutenção periódica do material pelo especialista, o que significaria que o Vinícius teria de vir ao Centrinho a cada 15 dias. “Ao decidir pelo uso da placa, eu e meu marido vimos que seria impossível eu conseguir me manter na agência bancária e ter tempo para me dedicar no acompanhamento do tratamento dele. Com apoio do Fábio, pedi demissão do trabalho que eu adorava e que ajudava em nossa renda doméstica para me dedicar a melhor causa de nossas vidas”, conta.

Aos seis meses de idade, Vinícius passou pela primeira cirurgia, que corrigiu esteticamente o lábio. “Meu filho sempre foi lindo e amado, nunca nos preocupamos ou nos constrangemos com a fissura dele. Mas, quando vimos ele com o lábio perfeitinho, bem recuperado da cirurgia, só conseguíamos chorar de alegria”. A próxima cirurgia de Vinícius, que vai contemplar o fechamento do palato, será realizada quando ele tiver um ano e meio de idade. Após a cirurgia funcional, o bebê poderá iniciar o tratamento de fonoaudiologia.

Quando completar os nove anos e conforme avaliação clínica, Vinícius poderá ter o implante de enxerto ósseo. “Sabemos que nosso filho vai ser acompanhado pelo serviço até os 18 anos, durante todo o crescimento dele. Ele já recebe orientação nutricional, atendimento pediátrico e odontológico desde o seu nascimento. Se ele precisar do serviço após essa idade, também será atendido. Isso nos tranquiliza”, declara Fábio.

Com a rotina de visitas constantes no Centrinho, o casal fez amizades também com os pais de outras crianças que buscam o tratamento no serviço. Assim, Vanessa teve a ideia de criar a página “Amigos do Centrinho” em uma rede social. A página, segundo a mãe de Vinícius, é destinada a todos que admiram o serviço e para uma troca de experiências.

“O Vinícius foi uma dádiva que nos abriu as portas para conhecermos esse lugar cheio de pessoas com histórias fantásticas. O Centrinho tem que ser conhecido no Brasil inteiro, por que é um serviço público maravilhoso e que pode ajudar muita gente”, declara.

A página Amigos do Centrinho está no link https://www.facebook.com/groups/602330753126240/. Tem de ser aceito para participar do grupo, mas todos que queiram contribuir podem participar, segundo a criadora do grupo.