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Joinville inicia trabalho de adoção da agroecologia

Proposta visa à redução do uso de agrotóxicos na agricultura

Os impactos ambientais, sociais, econômicos e à saúde do homem do campo são o centro dos debates iniciados nesta terça-feira (7) pela Fundação Municipal 25 de Julho, em Joinville, com a realização do Seminário de Agroecologia, voltado inicialmente aos técnicos agrícolas. “Após a capacitação de nosso pessoal, mobilizaremos todos os proprietários rurais de Joinville e região por meio de ações que fundamentam a agroecologia e a necessidade de redução dos danos ambientais decorrentes da agricultura centrada no uso de agrotóxicos, insumos e outros tipos de agressão ao homem e meio ambiente”, explica o presidente da Fundação 25 de Julho, Valério Schiochet.

Anualmente, segundo a palestrante Dilei Schiochet, que atua na Secretaria de Agricultura da Paraíba, especialista na produção do semiárido, a tradicional agricultura intensiva despeja nas lavouras por ano 713 milhões de litros de agrotóxico, o que representa mais de três litros para cada um dos 190 milhões de brasileiros. A palestrante Dilei Schiochet apresentou em sua palestra o vídeo “O veneno está na mesa”, que pode ser assistido pelo site youtube em https://www.youtube.com/watch?v=WYUn7Q5cpJ8

Segundo ela, a agroecologia é um movimento que busca repensar os atuais métodos de produção em contraponto ao método tradicional e familiar. “Atualmente, 70% da produção de alimentos no Brasil acontece na propriedade familiar”, enfatizou. “Temos de entender que o modelo atual, que nasceu no século passado com o nome de Revolução Verde, rompeu o modelo tradicional e transformou a produção de alimentos em mercadoria de exportação. São verdadeiras commodities que vão para o exterior e virou fonte de divisas”.

A proposta de levar ao homem do campo de Joinville o modelo agroecológico, segundo o presidente da Fundação 25 de Julho, vislumbra a qualidade de vida e renda de 17 mil habitantes. “Mais adiante, nosso plano é atingir toda a região para qualificar o agricultor e melhorar os produtos, agregando valor e renda para as famílias”. Valério Schiochet enfatiza que a qualificação dos produtos tem forte ligação com o Programa de Segurança Alimentar. Em Joinville, os principais produtos são a banana, aipim, palmáceas, arroz e hortaliças.

O seminário, segundo Schiochet, é o começo de um trabalho para repensar o atual modelo agrícola e fomentar um meio de produção sem agredir o meio. Segundo a palestrante Dilei Schiochet, a retomada da agricultura tradicional não será um retrocesso, mas uma forma de garantir a qualidade do bioma local, inclusive proteção dos mananciais, permanência do homem no campo e produtos livres de venenos. “A médio e longo prazo a agroecologia proporciona aumento da produção de forma mais duradoura”, garante.